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O Movimento Retomada Pela Conclusão do Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia é constituído por entidades, artistas, grupos e a comunidade. Foi fundado no ano de 1995 com a missão de contribuir para o término das obras do centro Cultural, paralisadas desde o ano de 1986. Em 1997, por meio da participação de representantes do Movimento no Programa Orçamento Participativo, houve uma grande mobilização da comunidade, ocasião em que foi possível concluir os blocos I e II (biblioteca e o pavilhão de cursos).
Alguns dos grupos que fazem parte do Movimento Retomada pela Conclusão do Centro Cultural são: AACUC – Associação de Arte e Cultura de Ceilândia, CEPAFRE – Centro de Educação Paulo Freire, MOPOCEM, Centro Cultural Ferrock, Grupo Atitude, Cooperativa de artistas, Associação dos Forrozeiros do DF, Grupo V.33, Oficina Quadrinho, Vila dos Sonhos, Clube do Som, músicos, artistas, artesões, comunidade em geral.
O Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia foi projetado a partir de encontros da comunidade cultural e a Administração Regional de Ceilândia, ainda na década de 80 e foi projetado para ser construído na QNN 13, ao lado do Centro Educacional 07, situado em local destinado a uma praça, o projeto procurou manter o caráter público do espaço, evitando criar barreiras que impedissem a circulação da população.
A primeira etapa foi iniciada em 1986, ocasião em que o sonho parecia se tornar realidade, porém não foi possível, por motivos judiciais a primeira etapa ficou parada por 08 anos. O motivo foi uma ação judicial que ocorreu durante o processo de licitação para a escolha da empresa que executaria a obra no ano de 1990. A empresa que iniciou a obra entrou na justiça para que a empresa vencedora não continuasse a obra.
Somente em 1998, O MOVIMENTO RETOMADA PELA CONCLUSÃO DO CENTRO CULTURAL E DESPORTIVO DE CEILÂNDIA, criado por artistas e produtores locais integrantes de várias entidades culturais e sociais da cidade retoma a discussão no âmbito do colegiado de delegados do programa de governo do Distrito Federal à época denominado Orçamento Participativo.
O Movimento Cultural tinha um representante no colegiado de delegados. A partir de uma grande articulação com vários setores da comunidade de Ceilândia, como: saúde, educação, segurança e outros segmentos, houve um entendimento de que a continuidade da obra do Centro Cultural e Desportivo de Ceilândia, paralisada desde o ano de 1990 era de fundamental importância para a cidade. A perspectiva do Movimento era de que, no próximo ano, 1999, a demanda fosse analisada como proposta prioritária para o governo do Distrito Federal.
Com a mudança de governo, logo após a inauguração da primeira etapa do Centro Cultural, inaugurada em setembro de 1998, a história se repetiu com algumas particularidades. O governo não continuou com o programa do orçamento participativo. A única iniciativa foi iniciar em 1999 a construção do ginásio esportivo/eventos paralisada até o presente momento, também com histórico de embargo judicial.
A semelhança com a situação anterior mencionada é a existência de uma obra inacabada que apenas serve para a desconstrução de todo um trabalho da comunidade no sentido de que a cidade de Ceilândia fosse entendida pelos governantes como cidade em desenvolvimento, que necessita de investimentos públicos e privados a considerar uma grande demanda existente em função de Ceilândia ser a cidade mais populosa do Distrito Federal.
Atualmente, dados do IBGE informam que a cidade tem uma população maior que 400.000, sendo que dados informais apontam para mais de 2000.000 famílias em áreas não regularizadas. Portanto investimentos nas áreas de cultura, educação e social são estruturantes para o desenvolvimento da cidade e das pessoas e reduzir a estratificação social, existentes em todas as cidades brasileiras, e bastante aguda e radical em Brasília, graças também a uma política do regime autoritário, que durante 21 anos, considerou o trabalhador sempre como uma ameaça à estabilidade do sistema e segregou-o o mais longe possível da qualidade de vida.

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